Fortalecendo os sistemas agroalimentares: a experiência das feiras agroecológicas do Frei Humberto no Ceará

  • Francisca Clarice Rodrigues de Sousa
  • José Ricardo de Oliveira Cassundé
  • Marcella Cristina Ever de Almeida MST
Palavras-chave: Campesinato e Soberania Alimentar

Resumo

Apresentação

A feira Agroecológica da Reforma Agrária é uma experiência que já esta na sua 35ª edição com foco nos desafios de fomentar um dos elos estratégicos da agroecologia que são os entraves da comercialização, em seus três anos de existência. A mesma encontra-se organizada e sistematizada por militantes do  Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST  do estado do Ceará, consistindo em um espaço de comercialização de produtos agroecológicos oriundos da produção nos assentamentos de reforma agrária do Estado do Ceará. Por ser referência para os diversos consumidores e produtores a mesma se constituiu de uma realização de caráter/ênfase político – cultural.

Contextualização da Experiência

A feira agroecológica acontece mensalmente na cidade de Fortaleza – CE. Considerando-se que trata-se de uma região semiárida com predominância de uma caatinga que resiste nas suas diversas estiagens. Mas são as diversas experiências de camponeses que são desenvolvidas em regiões com pouca disponibilidade hídrica, e que vão fomentando pequenas produções diversificadas e garantindo a diversidade nas feiras agroecológicas. No atual cenário realizar as feiras da reforma agrária também retrata uma realidade bem alarmante quanto ao uso descontrolado de agrotóxicos, as mazelas sociais acarretadas pelo agronegócio nas diversas regiões do estado, com foco na fruticultura irrigada, carcinicultura entre outras commodities que em seu nome concentram terras, águas e conflitos com as diversas comunidades tradicionais e demais povos do campo, florestas e mares. Nesse sentido, a feira surge de uma experiência de participação assentados e assentadas do MST do ceará que participaram das feiras nacionais da Reforma Agrária que acontecem em São Paulo e que os diversos estados do Brasil participam trazendo presente a arte, a cultura, a culinária, as produções e os muitos sabores e saberes do campo brasileiro a partir da luta pela reforma agrária. Após as avaliações junto ao Setor de Produção do MST-CE junto as famílias produtoras nos assentamentos se criou a ideia de construirmos uma amostra de produtos da reforma agrária, para denunciar afirmar pra sociedade a justeza da reforma agrária e da luta pela terra. E a partir daí fomos percebendo o quanto éramos produtores, diversificados, que nossas produções eram saudáveis e que precisávamos construir espaços para nos fortalecer como assentados que produziam e geravam renda. E a experiência foi se expandindo e ampliando as participações e daí fomos caracterizando com feiras temáticas onde o debate da agroecologia passa a transversalizar todas as ações da feira, desde a alimentação aos produtos comercializados, as relações estabelecidas, os diálogos de saberes que ocorrem entre os consumidores e as trocas de experiências entre feirante que enriquecem demais as propostas de desenvolvimento de suas áreas de plantio.  Vale ressaltar que a feira traz uma grande relação com a agroecologia no que diz respeito ao debate com os camponeses (as) que querem se inserir nos espaços de comercialização  são avaliados em seus processos produtivos e o Centro de Formação Frei Humberto que tem sido responsável pela promoção da mesma busca debater com essas famílias a importância da agroecologia em suas vidas e como que ela é importante na produção de nossa alimentação. Alem disso orienta-se que os próprios camponeses construam suas condições de iremos sempre as feiras para que eles mesmo estabeleçam os diálogos de saberes com os seus consumidores e passem contarem para os mesmos como que produzem os seus alimentos.

DESENVOLVIMENTO DA EXPERIÊNCIA  

A primeira Feira Agroecológica e Cultural da Reforma Agrária aconteceu em 24 de setembro de 2016 e desde então, ela se repete aos segundo sábado de cada mês. São aproximadamente três anos de realização das feiras. A mesma se divide em três momentos quase que simultâneos. Às nove horas começa a venda e exposição de produtos; as dez, uma roda de conversa a respeito de algum tema conjuntural ou que se avalia importante para aquele momento e ao meio dia é servido o almoço, que tem um cardápio já pré-definido desde a primeira feira (galinha caipira, carneiro, boi, suínos,  peixada entre outros) e música ao vivo com músicos regionais. Atualmente a feira é construída por vinte feirantes, entre homens e mulheres, e uma equipe, organizada pelo setor de produção do MST que se responsabiliza pela venda dos produtos dos assentamentos que, devido a distância e condições, não podem vir para todas as  feiras, mas querem enviar seus produtos. Participam também da feira o Plebeu de Leitura e a Expressão Popular, os dois expondo e vendendo livros. A Feira Cultural da Reforma Agrária é uma construção dos próprios assentados, MST e Centro de Formação Capacitação e Pesquisa Frei Humberto, mesma ocorre sem qualquer financiamento externo. Tem sido uma experiência que, apesar dos limites ainda existentes, ela tem se mantido e gerando bons frutos.  Avalia-se que a feira, além de um espaço importante onde se encontra produtos agroecologicos e comida regional por preços bem abaixo dos, normalmente, praticados no mercado, é também um importante espaço de construção de relações política dos apoiadores da reforma agrária e melhoria da renda dos feirantes.

“A feira, esta é a quinta feira da reforma agrária e ela é um momento de resistência. Resistência em vários sentidos. Resistência porque ela afirma a importância de um movimento como o MST na luta pela reforma agrária, na luta pela democratização da terra no país e na valorização dos movimentos sociais e também na luta contra a sua criminalização. Ela é de resistência porque temos aqui produtos da reforma agrária, dos assentamentos, mas também produtos da produção intelectual brasileira e internacional que giram em torno [...] das transformações sociais, do socialismo e tudo mais. Eu acho que ela se dar no momento, no momento histórico extremamente crítico, talvez um dos momentos mais difíceis enfrentados nas ultimas décadas pela sociedade brasileira” Fala do Parlamentar João Alfredo em 14 de janeiro de 2017, que na ocasião visitava a feira da reforma agroecológica da reforma agrária.

 

Na atualidade os assentamentos produtores que participam de nossa feira encontram-se distribuídos em categorias diferenciadas que podemos citar como, os assentamento envolvidos e que vem com frequência, ou melhor são fixos sempre em nossas feiras, dentre eles: Antônio Conselheiro – Ocara-CE, Palmares- Cratéus-CE, Zé Maria do Tomé- Limoeiro do Norte-CE, Zé Lourenço – Chorozinho-CE, Bernardo Marin II- Russas-CE, Mulungu – Itarema-CE –se, no caso das categoria dos assentamentos que não podem vir sempre e mandam produtos, podemos citar Roseli Nunes e Grosso (Santa Quitéria-CE,  Monte Alegre- Tamboril-|CE, 02 de Maio em Monsenhor Tabosa, além destes temos os assentamento Barra do Leme – Pentecoste CE e Lagoa do Mineiro Itarema–Ce como assentamentos participaram do início. Na ocasião reafirmamos que são comercializados na mesma diversos produtos de origem animal e vegetal, constando diversas frutas, olericolas, tubérculos, folhas, carnes de animais, animais vivos, artesanatos, comidas diversas, licores, livros, revistas, cordéis, raízes de plantas medicinais, mudas frutíferas e ornamentais entre tantas outras coisas que constroem as feiras culturais e agroecológicas  do  MST-CE.

 

DESAFIOS

A feira tem mostrado para nós possuímos alguns entraves quanto a disponibilidade de alguns camponeses a vi expor e defender a qualidade de seus produtos, como também construir as políticas de autosustentaçaõ de seus produtores participantes, considerando serem espaços de reconhecimento de suas produções e de construção sobre a realização das práticas agroecológicas

 PRINCIPAIS RESULTADOS ALCANÇADOS

São três anos de experiência e a feira encontra-se na sua 35ª edição, cada feira com um tema debatido de importância conjuntural, onde se somam nesta construção mais de 40 organizações e movimentos sociais. A feira tem trago diversos resultados no âmbito das questões de geração de renda para os feirantes, as relações públicas que se estabelecem no decorrer das mesmas, o que tem rendidos eventos proporcionados para o espaço do Frei pela quantidade de pessoas e as temáticas discutidas. havendo uma grande motivação para os feirantes irem reorganizando sempre seus quintais, e fortalecendo e melhorando as produções em suas áreas porque ser agroecológica e você valoriza o seu trabalho e nós temos nossos valores.

DISSEMINAÇÃO DA EXPERIÊNCIA

A realização da feira tem sido de muito incentivo para que os diversos camponeses (as) organizados em seus diversos territórios de trabalho, vida e sustento possam se organizar para realizarem também a exposição de seus produtos. Nessa ocasião alguns tem começado a participar de feiras locais promovidas pelas secretarias de meio ambiente e agricultura, universidades, escolas e demais instituições que promovem nossos camponeses tem sido convidado a expor e vender nossos produtos. Outros elementos que é de suma importância é articulação de jovens e mulheres que fomentam ao seu modo diversas articulações e oportunidade de disputarem espaços de vida a partir da terra.

Publicado
2020-06-29