Plantas utilizadas por agricultoras familiares em um xarope medicinal do Século XIX no Quilombo do Remanso, Lençóis, BA

  • FERREIRA, Marcio Harrison dos Santos Grupo de Pesquisa e Estudos sobre Lavouras Xerófilas (XERÓFILAS - IF Baiano/CNPq); PPGBot-UEFS
  • SANTOS, Lays de Jesus Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano, Campus Santa Inês)
Palavras-chave: etnobotânica, quilombolas, plantas medicinais, agroecologia

Resumo

O presente estudo objetiva listar as espécies, as partes utilizadas como recursos medicinais e o
preparo de um xarope por agricultoras familiares do Quilombo do Remanso, Lençóis, BA. O estudo
foi desenvolvido em outubro de 2014, utilizando-se entrevistas semiestruturadas e observação
participante. São utilizadas as folhas de alecrim da horta (Rosamarinus officinalis), alecrim
do campo (Baccharis sp.), hortelã miúdo (Mentha cf. piperita), hortelã graúdo (Plectranthus
amboinicus), manjericão (Ocimum basilicum), arruda (Ruta graviolens), algodão (Gossipium
herbaceum) e camará (Lantana camara); casca de canela (Cinnamomum zeylanicum), pau-ferro
(Caesalpinia ferrea), angico verdadeiro (Anadenanthera colubrina) e umburana (Commiphora
leptofloeos); flor do camará (Lantana camara); e sementes de noz-moscada (Miristica fragans),
pixurí (Licaria puchury), erva-doce (Foeniculum vulgare) e cravo (Dianthus caryophyllus),
além de mel de abelha “italiana” (Apis mellifera). Para o preparo, o material botânico é lavado
e submetido à fervura, após o que é coado, misturado ao mel e levado novamente à fervura. O
xarope é utilizado para a prevenção e tratamento de diversas patologias, como gripes e resfriados,
pneumonias, dor de cabeça, além de ser considerado “fortificante”. Esse preparo tem sido
utilizado na medicina popular do quilombo desde a segunda metade do Século XIX.

Publicado
2018-08-19