“MULHERES SÃO COMO ÁGUA, QUANDO SE JUNTAM NADA SEGURA”: A COLETIVIDADE QUE PROMOVE A SSAN

  • Milena Regina Mussoi
  • Mônica de Caldas Rosa dos Anjos
  • Islândia Bezerra
Palavras-chave: Gênero; Movimentos sociais; Mulheres assentadas; Soberania alimentar; Segurança Alimentar e Nutricional.

Resumo

A Soberania Alimentar (SOBAL), sendo a garantia do direito dos povos de definir e exercer
suas próprias estratégias de produção, distribuição e consumo de alimentos, é motivo de luta e
resistência do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) pelo
enfrentamento ao modelo hegemônico do sistema de produção alimentar industrial. A relação
com a SOBAL se dá no cotidiano das vidas das mulheres quando elas pautam no movimento
que fazem parte as questões de gênero, e denunciam o precário acesso aos recursos de produção,
de saúde e educação; bem como a invisibilidade do seu trabalho e falta de autonomia financeira.
Tratamos das estratégias do coletivo de mulheres assentadas, em um assentamento localizado
no centro-sul do Paraná, identificando as relações de gênero na produção familiar de alimentos
e na consolidação da Unidade Produtiva (UP), para compreender o papel da organização
feminina diante das desigualdades de gênero, que por sua vez influenciam na SOBAL. Para
tanto, ocorreram participações em ações do coletivo e entrevistas com as mulheres, anotações
em diário de bordo e pesquisa em referenciais teóricos. As pesquisas realizadas e o
envolvimento com a comunidade possibilitou compreender que, do amplo conjunto de
opressões às mulheres, a organização em coletivo contribuiu para a tomada de consciência e
mobilização diante das situações de desigualdade de gênero, sendo a essência da estruturação
da UP e da participação das mulheres nas decisões da comunidade, pelo alcance da liberdade
de expressão e da emancipação financeira, destacando a força feminina em coletivos, promotora
de SOBAL.

Publicado
2021-07-30
Seção
Trabalhos apresentados sobre Mulheres, Feminismos e Agroecologia