Notes for the Construction of Sustainability in Agroecosystems Under the Vision of the Swot Analysis and the Mesmis Methodology

  • Leideliane Kilian Universidade Federal da Fronteira Sul
  • Grasieli de Fátima Rode
  • Marcio Rodrigo OLIVEIRA
  • Rosecleia Burei Presa
  • Pedro Ivan Cristoffoli
Palavras-chave: Sustentabilidade, Agroecologia, Desenvolvimento Rural

Resumo

Apontamentos Para a Construção Da Sustentabilidade Em Agroecossistemas Sob a Visão Da Análise Swot e Da Metodologia Mesmis

 

 

KILIAN, Leideliane¹; RODE, Grasieli de Fátima²; OLIVEIRA, Marcio Rodrigo³; PRESA, Rosecleia Burei4; CRISTOFFOLI, Pedro Ivan.*

1 Mestranda, kilian.nutricao@gmail.com; 2 Mestranda, grasielirode@gmail.com;  3 Mestrando, marciodeoliv@gmail.com; 4 Mestranda, rosecleiaburei@gmail.com; 5 Professor, pedroivanc@uffs.edu.br; * Universidade Federal da Fronteira Sul

 

 

Seção Temática: Seção Desenvolvimento Rural.

 

Introdução

 

A utilização da temática da sustentabilidade está presente nas diferentes dimensões, e dificilmente será alcançada por meio de propostas disciplinares. Comumente é utilizada com o intuito de conservação dos recursos naturais e melhorias na qualidade de vida da população. A essencialidade do conceito propõe, que o suprimento das necessidades da geração atual deve ser atendidas, sem que se comprometa a capacidade de as gerações futuras atenderem as suas (COMISSÃO MUNDIAL DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1998). Esta definição, é alvo de consideráveis críticas, à medida que não mensura quais são estas necessidades e também não alega sobre as desigualdades sociais.

 

A construção do termo parte de um conjunto de valores com objetivos que não são apenas imediatistas. Pensar em sustentabilidade é se permitir pensar a longo prazo. Não há um conceito único que a explique, o que se tem é o compartilhamento de preceitos que devem ser discutidos, como a redução dos impactos ambientais, uso consciente dos recursos e a supressão de desigualdades sociais. Muitas ações são estruturadas para propor um entendimento em comum, e os resultados propostos indicam a aplicação de sistemas de indicadores, ou então instrumentos avaliativos que objetivam determinar a sustentabilidade (VERONA, 2008).

 

Mediante a necessidade de mensurar o quanto um agroecossistema é sustentável ou não, é necessário dispor de mecanismos que avaliam seu funcionamento e problemas enfrentados. São métodos que podem fornecer indicativos de soluções e enfrentamentos, à proporção que, operacionalizar o conceito de sustentabilidade permite observar e compreender o comportamento dos agroecossistemas nas dimensões sociais, econômicas e ambientais (ALTIERI, 2004; GLIESSMAN, 2001).

 

 

Metodologia

 

Caracteriza-se como estudo de caso, com temporalidade transversal.  A pesquisa foi construída com base em dados primários por meio de entrevistas semiestruturadas e observações, as quais forneceram informações para a construção da Matriz Swot, que subsidiou a construção da ferramenta MESMIS. A escala metodológica utilizada no diagnóstico dos indicadores da MESMIS, obedeceu a escala de 1 a 3. Sendo: 1 para nível inferior; 3 para os que são considerados ideais ou muito próximos. As unidades produtivas familiares estão localizadas no Assentamento 8 de Junho, Laranjeiras do Sul/PR, foram elencadas por método de conveniência.

 

 

Resultados e discussões

 

A base fundamental para o estabelecimento dos indicadores e sua mensuração, constituem-se a partir da Matriz Swot, e das observações realizadas. Resultante deste processo, obtêm-se informações individualizadas de cada agroecossistema, que foram sistematizadas para a análise da sustentabilidade a partir da visão multidimensional.

 

A tabela de indicadores contemplando a dimensão ambiental foi construída e aplicada nas duas unidades objeto deste estudo ponderando 12 indicadores: 1 potabilidade da água; 2 tratamento da água; 3 prática de preservação e disponibilidade hídrica; 4 utilização de agroquímicos; 5 uso de irrigação; 6 fertilidade do solo; 7 cumprimento da reserva legal; 8 diversidade de técnicas alternativas de manejo; 9 uso de estufas; 10 necessidade de implementos; 11 qualidade das mudas ou sementes; 12 disponibilidade de áreas agrícolas próprias e adequadas ao plantio.

 

Figura 1. Indicadores de Sustentabilidade na dimensão ambiental. Fonte: Elaboração autores, 2018.

 

Para a dimensão econômica, a mensuração contou com 9 indicadores: 1 controle financeiro; 2 acesso a crédito ou financiamento; 3 fontes de renda não agrícolas; 4 processo de agregação de valor; 5 controle sobre o preço dos produtos; 6 diversidade de canais de comercialização; 7 diversificação de produtos comercializados; 8 diversidade produtiva para o consumo da família; 9 infraestrutura da unidade de produção, seleção e processamento dos alimentos;

 

Figura 2. Indicadores de Sustentabilidade na dimensão econômica. Fonte: Elaboração autores, 2018.

A dimensão social foi construída com base em 11 indicadores: 1 eficiência na utilização do trabalho familiar; 2 tempo empregado na unidade de produção da família; 3 grau de escolaridade; 4 acesso a serviços de saúde; 5 tipo de moradia; 6 acesso a meios de comunicação; 7 acesso a esporte lazer ou cultura; 8 situação das estradas de acesso; 9 socialização de conhecimento; 10 acesso a assistência técnica; 11 visão do futuro do agricultor.

 

Figura 3. Indicadores de Sustentabilidade na dimensão social. Fonte: Elaboração autores, 2018.

 

 

Considerações finais

 

Os agroecossistemas estudados possuem características condizentes com o processo construtivo de conceituação da sustentabilidade. Foram observados pontos fortes como diversidade produtiva, participação social e política, percepção da melhora da qualidade de vida após a adoção das práticas agroecológicas, busca pelo conhecimento e sobretudo, o desejo de continuar nesse modelo produtivo. O nível de sustentabilidade nos quesitos preditos, devem ser mantidos e alguns melhorados.

Foram encontradas algumas limitações, principalmente no que tange os processos produtivos e de comercialização. Fatores como disponibilidade de mão de obra e tempo, ausência de ferramentas de controle e gestão de energia e recursos, dificultam a identificação de quais os produtos apresentam maior ou menor retorno.

Evidencia-se a necessidade da continuidade do processo de avaliação da sustentabilidade nos agroecossistemas desta região, ou seja, realizar a avaliação ao longo do tempo, uma vez que a própria metodologia da ferramenta MESMIS, se constitui de um processo cíclico, participativo e de retroalimentação.

 

Referências

ALTIERI, M. Agroecologia: a dinâmica produtiva da agricultura sustentável. 4a ed. Porto Alegre: Ed. da Universidade – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2004.

COMISSÃO MUNDIAL DEL MEDIO AMBIENTE E DESSARROLO. Nuestro Futuro Comun. Madrid, 1998.

GLIESSMAN, S. R. Agroecologia: processos ecológicos em agricultura sustentável. 2 ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2001. 653p.

VERONA, L. A. Avaliação de sustentabilidade em agroecossistemas de base familiar e em transição agroecológica na região sul do Rio Grande do Sul. Tese de doutorado apresentada no Programa de Pós Graduação em Agronomia. Universidade Federal de Pelotas. 2008.

Publicado
2019-04-26