PRV e produção convencional: Análise comparativa de custos de produção

  • Dario Fernando Milanez de Mello Médico Veterinário, MSc. Agroecossistemas, Doutorando em Agroecossistemas
  • Clarilton E. D. C. Ribas Doutor, professor aposentado pela UFSC
Palavras-chave: análise de custo, PRV

Resumo

Introdução

Quando o humanista, ecologista e cientista André Voisin publicou entre 1950 e 1964 importantes obras, especialmente Produtividade do Pasto, talvez não tivesse a amplitude de sua contribuição à produção de alimentos, no que respeita à revolução científica que inaugurara. De todos os pontos analíticos seu aporte multidimensional dotava este campo do saber agronômico de nova agenda, ao tempo mesmo científica, agroecológica e, last but not least, econômica e social. Nesta agenda Voisin compilou pesquisas realizadas mundialmente e relata suas experiências realizadas na sua propriedade (e campo experimental) na Normandia (França) denominada Le Talou. Voisin, a partir dos seus estudos propõe as Quatro Leis Universais do Pastoreio Racional, onde são tratadas a inter-relação da planta e animais, e suas causas e efeitos. Sendo as duas primeiras relacionadas à planta e as demais aos animais, e correlacionou os efeitos destes no solo.  

A cada dia o Pastoreio Racional Voisin recebe a adesão de produtores em todo o planeta honestamente interessados em levar adiante um imperativo ético: a verdadeira noção de sustentabilidade ambiental. Não a sustentabilidade como ferramenta mercadológica destinada exclusivamente a alavancar vendas, sua lucratividade correspondente, protagonizando um autêntico “jogo de cena”, no qual esta noção apenas recobre uma forma de produção destrutiva: em relação à natureza e a sociedade.

Um fator, entretanto, que julgamos, não tem recebido o necessário respaldo na produção científica se refere ao aspecto econômico deste novo e revolucionário paradigma (no sentido Kuhniano da expressão). Da forma mesma pela qual o PRV revoluciona a relação existente entre solo/animal/sociedade, opera transformações igualmente revolucionárias no que concerne à economia na produção de alimentos. De um lado pela economicidade de recursos energéticos oriundos de fontes sabidamente escassas, caras como combustíveis fósseis, nomeadamente o petróleo.

A fonte energética do sistema PRV é inesgotável e gratuita: o sol e seu verdadeiro milagre que promove através da fotossíntese nutrindo de energia sem custo o insumo de essência na produção animal: o pasto. Em assim sendo, pelo prosaico (aparentemente) fato de substituir energia fóssil pela solar, o PRV promove a ruptura com uma dependência perigosa, cara, poluente, escassa que, como se não bastasse, tem promovido guerras, genocídios, fome e sofrimento para grossas parcelas da humanidade. Em outras palavras, estamos fazendo referência a uma tecnologia cujo principal traço é romper com a dependência do petróleo, e com a miríade de consequências econômicas, ambientais, civilizatórias.

Inscreve-se assim o PRV em nova tendência econômica, ainda incipiente tanto na pauta política como acadêmica do que uma corrente política corrente denomina Decrescimento Econômico, com origem em França. Segundo esta linha filosófico-política o planeta simplesmente não perdeu sua capacidade de assimilar o modo de produção em curso, marcado pela: a) Obsolescência planejada; b) Encurtamento de vida útil de mercadorias; c) - Geração de necessidades artificiais de consumo; e d) A consequente dissipação de recursos naturais não renováveis.

É precisamente na contraordem desta tendência que se inscreve e se consolida a produção animal através do PRV, bem como a proposta mais ampla da agroecologia. Autores indicam que a humanidade não dispõe de muito tempo a perder na reversão desta “produção destrutiva”[1]. Relatórios de organismos internacionais indicam o derretimento das calotas polares, o aquecimento global, a intensificação de eventos climáticos tais grandes estiagens, chuvas atípicas promovendo inundações e, sobretudo, mortes, regra geral nos rincões mais pobres do globo. É o que, precisamente a pauta da psicanálise denomina agenda de Thanatos (Θάνατο), ou na mitologia grega, a personificação da morte. Eis, ao que tudo indica, a trajetória da insensatez na qual perigosamente os senhores do dinheiro e do poder (Geld und Macht, para Jürgen Habermas[2]) estão conduzindo o processo civilizatório.

Trazemos para o centro do debate neste trabalho as implicações econômicas do PRV na produção animal que, numa primeira vista pode representar apenas uma reles diminuição de custos de produção, mas que abarca consequências macroeconômicas de amplitude ainda carente de uma agenda de investigações em suas múltiplas determinações.

 

Custos de produção

Os autores procederam a uma análise comparativa implicando dois custos de produção: sistema de produção convencional à base de pasto e PRV. Para tanto foi realizada uma simulação nos dois sistemas de uma produção bastante recorrente no estado de Santa Catarina, cuja estrutura fundiária tem forte presença de agricultores familiares. Em outros termos, tomou-se duas propriedades de tamanho médio com um rebanho base de 40 animais em produção leiteira, na forma como expressa a Tabela 1, levando em consideração os custos dos dois sistemas. Aqui é necessário fazer a devida referência à planilha de custos pública competentemente desenvolvida pelo corpo técnico do ICEPA-SC[3], sobre a qual nos valemos para a determinação do sistema de custeio. Os dados preliminares dos quais este estudo se originou apresenta, portanto, fatores de produção equivalentes, como indica a Tabela 1.

 

Tabela 1. Inventário do rebanho leiteiro e coeficientes técnicos.

Categoria Animal

Unidade

Convencional

PRV

Vacas em lactação

cabeças

40

40

Vacas secas

cabeças

13

13

Novilhas em recria acima de 24 meses

cabeças

14

14

Novilhas em recria de 12 a 24 meses

cabeças

16

16

Bezerras até 12 meses

cabeças

20

20

Bezerros até 12 meses

cabeças

20

20

Total animais (pós nascimentos)

cabeças

123

123

Período de lactação

dias/ano

320

320

Produtividade média anual

L/vaca/dia

22,0

16,0

Intervalo entre partos

meses

15

13

Taxa de natalidade das vacas em lactação

% ao ano

80

96

Idade ao primeiro parto

meses

26

26

Total de vacas

cabeças

53

53

Vacas em lactação/Total de vacas

%

75,0%

75,0%

Vacas Secas / Total de vacas

%

25,0%

25,0%

Taxa de descarte de vacas

%

20

20

Taxa de mortalidade de bezerros(as)

%

8

5

Taxa de mortalidade das demais categorias

%

3

2

Nascimentos

cabeças

21

26

Produção de leite

L/ano

321.200

233.600

Produção de leite

L/vaca/ano

7.040

5.120

Produção de leite

L/dia

880

640

Preço médio anual do leite

R$/L

1,25

1,25

Receita com o leite

R$/ano

401.500,00

292.000,00

 

 

Como pode ser observado trata-se da mesma magnitude de rebanho com diferença substantiva na produtividade média anual no sistema convencional, cerca de 28% superior ao PRV. Simplesmente por termos optado por apresentar uma produtividade modesta neste estudo e demonstrar que a produtividade não é o determinante em relação a produção leiteira, há que se considerar que animais com produtividade menor, por sua vez, apresentam menor risco em relação a saúde. Em nossa simulação o valor de compra dos animais é correspondente, como indica a Tabela 2.

 

Tabela 2. Valor dos animais.

Categoria Animal

Unidade

Convencional

 PRV

Vacas em lactação

R$/cab

             5.371,52

5.371,52

Vacas secas

R$/cab

             4.834,37

4.834,37

Novilhas em recria acima de 24 meses

R$/cab

             4.834,37

4.834,37

Novilhas em recria de 12 a 24 meses

R$/cab

             3.222,91

3.222,91

Bezerras até 12 meses

R$/cab

             1.074,30

1.074,30

Bezerros até 12 meses

R$/cab

                  59,13

59,13

Reprodutores

R$/cab

 

 

Valor Total do rebanho

R$

         421.235,51

421.235,51

Receita com a venda de animais

 

 

 

Valor das categorias animais

 

 

 

Categoria Animal

Unidade

CONVENCIONAL

PRV

Vacas (descarte)

R$/cab

             1.153,68

1.153,68

Bezerros (descarte)

R$/cab

                  59,13

59,13

Bezerras

R$/cab

             1.074,30

1.074,30

 

 

O estudo prossegue com o campo das receitas, primeiramente indicando a receita com venda de animais, como segue na Tabela 3, onde o PRV inicia as indicações de sua superioridade econômica:

 

Tabela 3. Receita com venda de animais (R$/ano).

Categoria animal

Convencional

 PRV

Vacas em lactação

9.229,44

9.229,44

Vacas secas

3.076,48

3.076,48

Novilhas em recria acima de 24 meses

6.349,14

9.604,28

Novilhas em recria de 12 a 24 meses

4.898,83

5.414,49

Bezerras até 12 meses

2.578,33

3.222,91

Bezerros até 12 meses

1.088,04

1.123,52

Receita anual (R$/ano)

27.220,25

31.671,12

Receita anual (R$/L)

 0,0847

0,1356

           

Tendo em vista a menor produtividade (conceito ao qual voltaremos com suas devidas relativizações) a receita com leite é, igualmente à produção, cerca de 72% menor, como se observa na tabela abaixo:

 

Tabela 4. Receitas com a venda de leite (R$/ano).

Categoria animal

Convencional

 PRV

Preço Referência (R$/litro)

                 1,25

                 1,25

Produção (litros/ano)

321.200

233.600

Receita com venda de leite (R$/ano)

      401.500,00

      292.000,00

 

Dado que fica evidenciado na Tabela 5 que alinha os custos variáveis:

 

Tabela 5. Custos variáveis.

Itens de custo

Convencional

 PRV

R$/L

R$/L

Ração comercial

0,4376

0,2086

Mineralização

0,0345

0,0292

Vacinas e medicamentos

0,0409

0,0112

Energia elétrica

0,0259

0,0259

Funrural

0,0194

0,0196

Assistência Técnica

0,0143

0,0257

Inseminação artificial

0,0127

0,0064

Transporte interno

0,0222

0,0306

Mão de obra contratada

0,1339

0,1841

Mão de obra própria

0,1069

0,1470

Pasto Perene manutenção

0,0322

0,0062

Pastagem anual de inverno

0,0621

0,0112

Feno/pré-secado

 

0,0040

Pastagem anual de verão

0,0429

0,0075

Silagem de milho

0,0697

0,0424

Manutenção de Benfeitorias

0,0168

0,0202

Manutenção de Equipamentos

0,0265

0,0287

Manutenção de Maq/Veic/Anim trab

0,0097

0,0112

Seguro patrimonial

0,0026

0,0017

Despesas diversas

0,0111

0,0082

Sub-total custo variável

1,1219

0,8295

Depreciação de Pastagem Perene

0,0051

0,0072

Depreciação de Benfeitorias

0,0438

0,0463

Depreciação de Equipamentos

0,0291

0,0255

Depreciação de Maq/Veic/Anim trab

0,0166

0,0205

Custo operacional da atividade leiteira

1,2164

0,9290

 

 

Resultados econômicos

Reside nesta diferença, calculada por custo operacional por litro de leite o grande elemento de barateamento da produção do PRV relativamente à produção convencional, o que é enfaticamente corroborado na Tabela 6 abaixo, que aponta os indicadores econômicos que diferenciam substantivamente os dois sistemas, do ponto de vista dos custos de produção.

 

 

 

 

Tabela 6. Resumo dos indicadores de resultado.

Itens de Custo

Convencional

PRV

Alimentação do rebanho

0,6842

0,3163

Manutenção e depreciação da infraestrutura

0,1424

0,1523

Mão-de-obra própria

0,1069

0,1470

Mão-de-obra contratada

0,1339

0,1841

Vacinas, medicamentos e assistência técnica

0,0551

0,0369

Outros custos operacionais menos receita c/ venda animais

0,0092

-0,0432

Custo operacional total do leite

1,1317

0,7934

 

Note-se aqui a substantiva diferença do custo operacional para a produção de leite, o que se deve fundamentalmente ao uso intensivo de recursos oriundos da natureza, em sua essência inesgotáveis e gratuitos. Os dados que se seguem na Tabela 7, indicadores econômicos.

 

Tabela 7. Indicadores econômicos.

Item

Unidade 

Convencional

PRV

Desembolsos da atividade leiteira

R$/litro

1,12

0,83

 

Depreciações na atividade leiteira

R$/litro

0,09

0,10

 

Pró-labore do produtor na atividade leiteira

R$/litro

0,11

0,15

 

Custo operacional da atividade leiteira

R$/litro

1,22

0,93

 

Renda com a venda de animais ou aumento do rebanho

R$/litro

0,08

0,14

 

Custo operacional do leite

R$/litro

1,13

0,79

 

Preço de venda do leite

R$/litro

1,25

1,25

 

Margem operacional do leite

R$/litro

0,12

0,46

 

Renda do produtor

R$/litro

0,23

0,60

 

Renda do produtor

R$/mês

6.028,52

11.749,77

 

Renda do produtor

R$/ano

72.342,19

140.997,19

 

Valor presente líquido da empresa

R$ a 3,5% aa

(173.272,90)

218.593,42

 

Taxa interna de retorno da empresa

%aa

0,6%

8,3%

 

Receita por vaca em lactação

R$/vaca/dia

27,50

20,00

 

Despesa com ração por litro de leite

R$/litro

0,44

0,21

 

Relação despesa com ração/desembolso total

%

39,0%

25,1%

 

Despesa com alimentação por litro de leite

R$/litro

0,68

0,31

 

Relação despesa com alimentação/desembolso total

%

60,5%

37,3%

 

               

 

Este trabalho chama a atenção para os dados seguintes, contidos na Tabela acima:

  1. O desembolso da atividade nos dois sistemas de R$ 1,12 para R$ 0,83 nos dois sistemas, o que conduz a uma margem operacional de R$ 0,46 no PRV, contra R$ 0,12 no sistema convencional;
  2. Como conseqüência, a renda do produtor salta de R$ 6.028,52 para R$ 11.749,77 com o PRV, o que não deixa sequer sombra de dúvida sobre o resultado desejado por qualquer investimento: resultado superior para um mesmo volume de investimento;
  3. A diferenciação reside, em grande medida, na relação despesa com alimentação/desembolso, que de 60,5% no sistema convencional decresce para 37,3% no PRV.

Encerrando esta sessão levamos em conta a rentabilidade do patrimônio vinculado à atividade leiteira.

 

 

Tabela 8. Rentabilidade do patrimônio vinculado à atividade leiteira sistema Convencional.

ITENS

ANO 0

ANO 1

ANO 2

ANO 3

ANO 4

ANO 5

TOTAL DE ENTRADAS

0,00

428.720,25

428.720,25

428.720,25

428.720,25

1.650.232,01

Receitas com a venda de leite

 

401.500,00

401.500,00

401.500,00

401.500,00

401.500,00

Receitas com a venda de animais

 

27.220,25

27.220,25

27.220,25

27.220,25

27.220,25

Valor do rebanho no ano 5

 

 

 

 

 

421.235,51

Valor das máquinas no ano 5

 

 

 

 

 

154.729,11

Valor dos equipamentos no ano 5

 

 

 

 

 

188.230,92

Valor das benfeitorias no ano 5

 

 

 

 

 

449.106,41

Valor das pastagens perenes no ano 5

 

 

 

 

 

8.209,80

TOTAL DE SAÍDAS

1.373.316,85

390.722,06

390.722,06

390.722,06

390.722,06

390.722,06

Valor atual do rebanho (ano 0)

   421.235,51

 

 

 

 

 

Valor atual das máquinas (ano 0)

   181.346,19

 

 

 

 

 

Valor atual dos equipamentos (ano 0)

   234.940,86

 

 

 

 

 

Valor atual das benfeitorias (ano 0)

   519.374,69

 

 

 

 

 

Valor atual das pastagens perenes (ano 0)

     16.419,60

 

 

 

 

 

Despesas com alimentação do rebanho

 

    219.756,67

    219.756,67

  219.756,67

   219.756,67

   219.756,67

Despesas com manutenção da infraestrutura

 

      45.732,07

      45.732,07

    45.732,07

     45.732,07

     45.732,07

Despesas com mão-de-obra

 

      77.352,00

      77.352,00

    77.352,00

     77.352,00

     77.352,00

Despesas com vacinas, medicamentos e assistência técnica

 

      17.708,24

      17.708,24

    17.708,24

     17.708,24

     17.708,24

Outras despesas operacionais

 

      30.173,09

      30.173,09

    30.173,09

     30.173,09

     30.173,09

SALDO

-1.373.316,85

37.998,19

37.998,19

37.998,19

37.998,19

1.259.509,95

VPL a 3,5% a.a.

-173.272,90

 

 

 

 

 

TIR

0,58%

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tabela 9. Rentabilidade do patrimônio vinculado à atividade leiteira PRV.

ITENS

ANO 0

ANO 1

ANO 2

ANO 3

ANO 4

ANO 5

TOTAL DE ENTRADAS

0,00

323.671,12

323.671,12

323.671,12

323.671,12

1.252.263,83

Receitas com a venda de leite

 

292.000,00

292.000,00

292.000,00

292.000,00

292.000,00

Receitas com a venda de animais

 

31.671,12

31.671,12

31.671,12

31.671,12

31.671,12

Valor do rebanho no ano 5

 

 

 

 

 

421.235,51

Valor das máquinas no ano 5

 

 

 

 

 

142.747,85

Valor dos equipamentos no ano 5

 

 

 

 

 

103.826,02

Valor das benfeitorias no ano 5

 

 

 

 

 

260.783,32

Valor das pastagens perenes no ano 5

 

 

 

 

 

0,00

TOTAL DE SAÍDAS

1.044.801,45

217.017,93

217.017,93

217.017,93

217.017,93

217.017,93

Valor atual do rebanho (ano 0)

   421.235,51

 

 

 

 

 

Valor atual das máquinas (ano 0)

   166.686,25

 

 

 

 

 

Valor atual dos equipamentos (ano 0)

   133.646,71

 

 

 

 

 

Valor atual das benfeitorias (ano 0)

   314.814,74

 

 

 

 

 

Valor atual das pastagens perenes (ano 0)

       8.418,24

 

 

 

 

 

Despesas com alimentação do rebanho

 

      73.878,30

      73.878,30

    73.878,30

     73.878,30

     73.878,30

Despesas com manutenção da infraestrutura

 

      35.585,67

      35.585,67

    35.585,67

     35.585,67

     35.585,67

Despesas com mão-de-obra

 

      77.352,00

      77.352,00

    77.352,00

     77.352,00

     77.352,00

Despesas com vacinas, medicamentos e assistência técnica

 

        8.615,67

        8.615,67

      8.615,67

       8.615,67

       8.615,67

Outras despesas operacionais

 

      21.586,30

      21.586,30

    21.586,30

     21.586,30

     21.586,30

SALDO

-1.044.801,45

106.653,19

106.653,19

106.653,19

106.653,19

1.035.245,90

VPL a 3,5% a.a.

218.593,42

 

 

 

 

 

TIR

8,32%

 

 

 

 

 

 

Julgamos que os números finais são suficientemente eloquentes para demonstração sem qualquer tergiversação a superioridade econômica do Pastoreio Racional Voisin relativamente à produção convencional. O Valor Presente Líquido pesadamente negativo no sistema convencional (R$ -173.272,90) é substituído no PRV pelo exuberante resultado positivo de R$ 218.593,42, levando-se em conta uma taxa de desconto de 3,5% a.a. ao mesmo tempo em que a Taxa Interna de Retorno sai de 0,58% para 8,32%.

Além dos indicadores já vistos a demonstrar claramente a superioridade econômica do PRV usa-se outra técnica chamada Análise de Sensibilidade (AS), ferramenta que serve para medir os graus de resistência de determinado projeto ante variações econômicas não previstas, tais como alta no dólar, processo inflacionário acentuado, aumento de preços na matéria prima assim como por determinações de mercado e alterações do preço de venda. Este método consiste em examinar cada projeto a partir de dois parâmetros: custo de produção e preço de venda, realizando simulações que alteram estas duas variáveis 25% menos e 25 % mais, análise que realizamos na sequência, utilizando AS custo de produção e AS preço de vendas para os dois projetos:

 

Tabela 10. Análise de sensibilidade custo de produção convencional (L).

∆ %

Preço de venda

Custo de produção

Líq./L

-25

1,25

0,915

0,335

-20

1,25

0,976

0,274

-15

1,25

1,037

0,213

-10

1,25

1,098

0,152

-5

1,25

1,159

0,091

0

1,25

1,22

0,03

5

1,25

1,281

-0,031

10

1,25

1,342

-0,092

15

1,25

1,403

-0,153

20

1,25

1,464

-0,214

25

1,25

1,525

-0,275

 

O dado mais expressivo na AS do sistema convencional se refere à escassa margem de contribuição que oferece já sem nenhuma variação nos custos, apenas R$ 0,03 por litro de leite. Por esta razão o aumento não previsto nos custos de produção de apenas 5% é suficiente para tornar o projeto deficitário.

 

Tabela 11. Análise de Sensibilidade Custo de Produção PRV (L).

∆ %

Preço de venda

Custo de produção

Líq./L

-25

               1,25

0,70

0,55

-20

               1,25

0,74

0,51

-15

               1,25

0,79

0,46

-10

               1,25

0,84

0,41

-5

               1,25

0,88

0,37

0

               1,25

0,93

0,32

5

               1,25

0,98

0,27

10

               1,25

1,02

0,23

15

               1,25

1,07

0,18

20

               1,25

1,12

0,13

25

               1,25

1,16

0,09

 

 

            De outra parte, no sistema PRV esta margem de contribuição (ou lucro) é de R$ 0,32 por litro, ou seja, cerca de dez vezes maior razão pela qual no pior cenário macro econômico, ou seja, com um aumento nos custos de 25% o projeto apresenta-se ainda lucrativo, com um lucro de cerca de R$ 0,10 por litro de leite produzido e comercializado.

 

Tabela 12. Análise de Sensibilidade Preço de Venda Convencional (L).

∆ %

Preço de venda

Custo de produção

Líq./L

-25

0,94

1,22

- 0,28

-20

1,00

1,22

-  0,22

-15

1,06

1,22

-  0,16

-10

1,13

1,22

- 0,10

-5

1,19

1,22

- 0,03

0

1,25

1,22

0,03

5

1,31

1,22

0,09

10

1,38

1,22

0,16

15

1,44

1,22

0,22

20

Publicado
2019-02-07