“A BENÇÃO, MÃE”: MATRIPOTÊNCIA, TRANSFORMAÇÃO E OS SENTIDOS DA AGROECOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA ANCESTRAL

  • Andrea Lima Duarte Coutinho
Palavras-chave: Agroecologia; Epistemologias; Matripotências; Medicina Ancestral; Povos de Terreiro.

Resumo

Este texto ensaia um caminho, para a compreensão das “teorias nativas” dos povos de terreiro/comunidades
de matriz africana relacionadas a cura, matripotências e vivências biointerativas, tomando como ponto de
partida o entrelaçamento histórico e epistemológico sobre totalidade, processos de co-aprendizagem a partir
dos códigos interativos e as práticas ancestrais da “medicina dos encantos” e das concepções sobre
transformação. Para tanto, foram realizadas abordagens e leituras dos sentidos da natureza, que se mostram
apropriados por lideranças religiosas de terreiros e que conferem o reconhecimento da pluriontologia desses
povos, através das práticas, rituais e dos ensinamentos relacionados a ciência do curar. A partir das
narrativas e dos itinerários de vida da Yalorixá Augusta de Oxum Karê ( Ilê Axé D´Omim), encontraremos
as pistas para compreender a permanência e a re-existência, da medicina ancestral através dos sentidos de
evocação, invocação e entoação que configuram o processo da transcendência e da totalidade ecológica.
Aqui, deve ser pautado o caráter de ruptura milenar que estes enfrentamentos cosmopolíticos, realizam
frente ao processo de colonização, principalmente se tomarmos como foco os valores relacionados a
dominação de corpos, ciências (direitos epistêmicos), patrimônio cultural e agenciamentos. Associado a
estes fenômenos se faz necessário, a emergência de novos sensos no campo da agroecologia, que apurem o
reconhecimento das/dos mestras/es das ciências da cura dos povos diaspóricos e dos povos originários,
enquanto cientistas, plenas dos saberes e sabedoras dos métodos relacionados aos processos de
transformação e vida, que reafirmam o papel cosmopolítico da medicina ancestral, ressaltando a sua
definição de contraste à lógica científica/industrial, que submete, expropria e lucra a partir do conhecimento
milenar dos povos resistentes.

Publicado
2021-07-14
Seção
Trabalhos apresentados sobre Mulheres, Feminismos e Agroecologia