TRABALHO E DUPLA JORNADA, REFLEXÕES SOBRE A DIVISÃO DE TAREFAS DAS ASSENTADAS DO MILTON SANTOS

  • Gabriela Mariano Mendonça
Palavras-chave: Geração, Agroecologia, Assentamento, Mulheres agricultoras, Circuitos curtos de comercialização.

Resumo

Para compreender a agricultura familiar é necessário refletir sobre a relação terra,
trabalho e família, ao considerar as relações de gênero, o trabalho das mulheres foi
invisibilizado ou direcionado unicamente ao âmbito doméstico. Conforme os movimentos
sociais integraram as mulheres, as agricultoras passaram a ser reconhecidas sobre seu trabalho,
a agricultura agroecológica foi umas das maneiras de alcançar o reconhecimento. Neste
cenário, com o acúmulo de tarefas da mulher entre o espaço público e doméstico, a dupla
jornada se perpetua e as relações do patriarcado não alteram a relação no âmbito doméstico.
Nesse panorama, este ensaio tem como objetivo dialogar sobre as mudanças em relação ao
trabalho doméstico suscitadas pelo reconhecimento do trabalho da mulher, principalmente
pelos filhos e filhas. O estudo articula os relatos das mulheres agricultoras do assentamento
Milton Santos, situado em Americana, SP. Os resultados demonstram que os companheiros não
atuam no âmbito doméstico, por outro lado os filhos e filhas, reconhecendo a atuação da mãe
na Organização do Controle Social “Terra Viva” passaram a auxiliar nas atividades
domésticas. Embora não haja uma divisão igualitária das atividades domésticas, o apoio dos
filhos e filhas levanta possibilidades de mudanças no ciclo geracional, onde no futuro as
tarefas domésticas podem ser compartilhadas entre homens e mulheres.

Publicado
2021-07-09
Seção
Trabalhos apresentados sobre Mulheres, Feminismos e Agroecologia